Depoimentos 


Erelisa Vieira

Tive o prazer de, na semana passada, na Faxinal do Céu, no III Seminário Paranaense de Surdos, apreciar a apresentação teatral do Rimar. Não só eu, mas a platéia repleta com quase mil pessoas, entre surdos, ouvintes e equipe de apoio do evento...
Posso falar que, entre os atores surdos que tem desenvolvido um trabalho de arte voltado para sua comunidade, o Rimar tem algumas particularidades e especialidades. No meu ponto de vista, ele consegue inserir a cultura surda e sua arte no teatro. Rimar coloca em meio a sua dramatização piadas referentes ao campo visual, por exemplo "desculpe sou surdo não vi", fazendo a platéia como um todo cair na risada. Além disso, consegue perfeitamente misturar mímica clássica, e clown adendando LIBRAS, o que torna seu teatro artisticamente mais qualificado.
É um ator que tem sempre "mais uma carta na manga", não esconde que tem mais a oferecer, e tenta perceber na platéia se em seu espetáculo tal peça vai ou não ser adequada, tirando da seqüência as que acha que não estariam apropriadas para o momento.
Mas não esconde que tem muito mais a oferecer. Na ocasião das quatorze histórias que apresentou, tirou uma que estava relacionada a um pintor. Não me pergunte o que seria essa mini peça, porque ele mostrou que ela existia mas preferiu não encená-la.
Além disso, Rimar tem uma mala mágica encantadora, que carrega consigo um mundo de informações e invenções, quando abre aquela mala ninguém sabe o que pode acontecer, começa a tirar coisas e a impressão é de uma infinidade de recursos disponíveis para que ele aproveite todas as oportunidades.
Rimar é mescla de emoção, carinho, respeito e arte.


Erelisa Vieira
(Intérprete Curitiba)